Em 18/02/2014
 

Algo Sobre Ousadia

Esta semana Rodrigo Goulart faz uma analogia entre as olimpíadas de inverno e a psicanálise. Confira!


 

Algo Sobre Ousadia

 

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Leitor, acontece neste momento os Jogos Olímpicos de inverno em Sochi, cidade da quase sempre gelada Rússia. Já tentaram assistir alguma partida ou apresentação? Sério? Sem morrer de tédio? Desculpem a minha ignorância, eu não. Uma emocionante partida de curling não é pra mim. Talvez o frio necessário para o esporte (?) provoque tal falta de entusiasmo. A torcida do time vencedor comemora com alguns poucos aplausos e, quando a partida é muito emocionante, um aperto de mãos.

 

Pois bem, dia desses navegando pela boa e (não tão) velha internet onde tudo se vê uma notícia me chamou atenção: uma patinadora americana estava disputando medalha com uma apresentação ao som do Pink Floyd, banda de rock inglesa que revolucionou a música dos anos 60 e 70 com suas melodias e arranjos ousados, letras questionadoras e de uma doçura ímpar. Estranho, né? Uma competição dominada por uma elite pré-moldada em um momento se ouvir um grito de guitarra distorcida e da cultura popular, junto com a estranheza conservadora presenciando o diferente. Não, nada estranho. A moça fez uma apresentação brilhante, flutuando sob a pista e os corações de gelo, alimentando a minha expectativa em vê-los derreter pelo calor das emoções. Bom, parte da expectativa foi agraciada, a patinadora ovacionada, aplaudida de pé, clamada e aclamada, e eu aqui na torcida.

 

A coragem da atleta ao caminhar na contramão me fez pensar no trajeto da própria psicanálise, na dificuldade e genialidade do Freud em pensar o impensável na época. Até hoje é preciso coragem, meu amigo, para continuar fazendo e mantendo viva a psicanálise, ciência/arte sempre questionadora, cheia de incertezas, tentando pelo tato desvendar os segredos mais íntimos da mente humana, dialogando com monstros pela essência subversiva e diferença, sendo muito mais fácil, cômodo e agradável se continuassem guardados, fazendo com que estes passem a trabalhar ao nosso favor, juntos, quase que em uma missão de paz.

 

A patinadora? Ganhou medalha de bronze, feliz com o resultado e continua ouvindo Pink Floyd. Eu? Acharia a de ouro merecida e continuo questionando.

 

 

Rodrigo Goulart

Graduando em Psicologia (UNIT)

rodrigogoulart-@hotmail.com

data de publicação: 18/02/2014

 

 

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Comentário(s)
postado por Sergio Buonamassa em 18/02/2014 às 07:56

Caro Rodrigo, Gostei do teu artigo, um conteúdo muito atual:CONTRAMÃO!!!!!! Pois é, o mundo está indo, ou melhor dizer, os homens andam direto na contramão. Estamos chegando onde o " que é errado está certo e vice versa".....E isso atinge todas as áreas, exatas, humanas, etc. E a psicanalise não poderia ficar por fora, claro. Corajosos são aqueles que, remam contra a correnteza, tipo a inversão de valores, contra regras, etc. Quanto ao tédio de um esporte invernal, entendo você, por não viver ou ter vivido, em um Pais onde por 8/9 meses ao ano, a temperatura é sempre beirando o 0ºC ou valores negativos, e o calor, quando tem, por pouquíssimo tempo está acima dos 20ºC.... E até as manifestações de "vitória" são "frias"...rsrsrsrsrsrsr Quanto à patinadora ter escolhido uma musica de um grupo que nos anos 60 e 70 era então de contramão, faz tempo que a parte Oriental, principalmente da Europa, introduziu a "CocaCola" nos hábitos alimentares....Mas que todos, possam sempre, expressar-se como, quando e com a música, neste caso, que mais desejam e gostam. Abração......Teu Amigo........!!!!!!!!
 

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