Em 29/08/2018
 

Algumas Bases Fundantes para as Possíveis Correlações entre Alguns Conceitos Neurocientíficos e Psicanalíticos

Sônia Pinto Alves Soussumi


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– INTRODUÇÃO
Para maior eficácia no que pretendo demonstrar, penso ser interessante fornecer algumas
informações a respeito de minha trajetória neuropsicanalítica, a fim de que os colegas possam
melhor avaliar, ao longo da exposição teórica, qual é o nível de consistência científica alcançado
no tema que pretendo abordar, e se houver, terem uma noção de como foi sendo desenvolvida.
Até o ano de 1990, eu vinha de uma trajetória eminentemente psicanalítica. Formada em
Psicologia em 1976, apresentava também em meu curriculum, o contato com a Psiquiatria, em
função de trabalho remunerado e estágios em três hospitais psiquiátricos.
A experiência com a doença mental institucionalizada havia me dado até àquela época,
acréscimos importantes no atendimento psicanalítico.
A partir de 1990, em função de ter me casado com o colega Yusaku Soussumi, que notoriamente
está envolvido já há três décadas com a unidade mente-corpo e suas pesquisas no campo
psicossomático, comecei a freqüentar e me interessar pelas bases científicas que me permitiam
cada vez mais compreender os fundamentos teórico-clínicos da Psicanálise, nos vértices
Freudiano, Kleiniano e Bioniano.
Nesse ínterim, além do estudo sistemático (teórico) do cérebro, tive a oportunidade de estudar a
respeito das correlações entre doenças endocrinológicas, imunológicas e cerebrais e seus
imbricamentos psíquicos.
Durante dois anos pertenci à diretoria do Centro de Estudos em Psiconeuroendocrinologia de São
Paulo (CEPENESP), tendo nessa época participado de importantes congressos internacionais.
Mas, foi no congresso "Ramõn Y Cajal e a Consciência", realizado em Zaragoza, Espanha, em
1999, em homenagem ao centenário do trabalho "A textura del sistema nervioso", com o qual ele
ganhou o Prêmio Nobel, em 1906 (mas que fora escrito em 1899), que pude perceber claramente
as correlações que eu já vinha me dando conta nos anos anteriores.
* Membro Associado da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo
Penso que nessa ocasião realizou-se o fenômeno psíquico, Fato Selecionado, denominado por
Bion, e que em neurociência é chamado de consciliência, conceito pertencente à Teoria do Caos,
onde elementos dispersos em um universo, se auto regulam, permitindo uma configuração que
pode ser percebida, observada e, portanto, pensada.
Como um exemplo a ser dado, cito o sentimento de surpresa, seguido do interesse, que me foi
despertado, ao tomar conhecimento da história da vida de Ramõn y Cajal e perceber algumas
experiências semelhantes mas ao mesmo tempo paralelas às de Freud, pois esses dois médicos
brilhantes, estavam à mesma época interessados e pesquisando a Consciência através do estudo
sobre neurônios. Ambos se interessavam pelas sinapses nervosas, com a diferença de que Freud
o fazia em sua clínica privada, através da observação dos fenômenos mentais, e Cajal atuava no
laboratório fazendo uso do microscópio. Freud fazia uma neurologia virtual ao estudar as
sinapses (apesar da descoberta ter sido patenteada dois anos depois por Sherington) e Ramõn
estudou os neurônios e as conexões axonais, sendo portanto, a pesquisa de Freud empírica e a de
Cajal histológica, porém ambos pesquisavam na mesma época (1895), sem nunca terem se
conhecido.
Freud falava das sinapses sob a denominação de Barreira de Contato, e hoje as neurociências
descobrem que há possibilidade de formação no cérebro, de novas sinapses, permitindo a
recategorização das experiências precoces, ou seja, nova ordem de categorias de pensamento, ou
mesmo, a neocategorização, isto é, novas idéias à respeito das mesmas experiências.
Nós conhecemos estes termos em psicanálise como elaboração das primeiras experiências (ou
das experiências precoces).
Mas, para que haja a formação de novas sinapses neuronais é necessário que haja a repetição
constante e metódica das experiências, repetição essa, que permitirá que se formem novos
registros emocionais e/ou mnêmicos nas sinapses, que são assim consolidadas.
Empiricamente, Freud já sabia disso e colocou o setting analítico com a sistemática de
atendimento de seis vezes por semana, para que houvesse a possibilidade de Elaboração. Um
neurocientista diria, para a criação de novas sinapses, e consolidação, permitindo a criação de
uma nova ordem de pensamentos, uma recategorização, permitindo um salto na qualidade da
percepção; dito psicanaliticamente, uma mudança psíquica.
Essa mudança na qualidade é possível em função do armazenamento, através da memória, que
mantém a essência básica das novas experiências, e que Freud chamou de Retranscrição.
O outro paralelismo entre Ramõn y Cajal e Freud, é que ambos tentaram à mesma época
correlacionar Estrutura e Função; é quando Freud desenvolve a segunda tópica de sua
metapsicologia: Id, Ego e Superego e a função de cada estrutura psíquica. Tanto que fazemos
análise do conteúdo e análise da função, em nossa atividade analítica.
Cajal buscava entender a Consciência e Freud também se interessou por ela, pois ele tentava
inicialmente tornar conscientes os conteúdos inconscientes: "Onde haja id, que haja ego".
Segundo meu ponto de vista, continuamos tendo como objetivo a Consciência, porque, a
investigação psicanalítica que fazemos diariamente em nossos consultórios, visa conhecer os
conteúdos inconscientes da mente do analisando, suas fantasias, defesas, conflitos, para
comunicar-lhe e, com isso, permitir que ele mesmo possa vir a ter contato com a própria
dinâmica e conteúdos psíquicos e assim, ter condições de desenvolver a Consciência de si
mesmo, porque, atingir e expandir a Consciência, é objeto de desejo do Homem, desejo esse que
está em função da necessidade de "dar conta" da consciência de se estar vivo e desamparado,
necessitando-se contar com os próprios recursos mentais, como forma de defesa contra a ameaça
de morte, de desintegração, que está presente desde o momento de nossa concepção.
II – CONCEITUAÇÃO DO TERMO NEUROCIÊNCIA
Neurociência é o nome que se usa para o estudo integrado da neuroanatomia, neurologia
funcional e das ciências cognitivas.
Quando a ciência cognitiva (do conhecimento) é a psicologia cognitiva, nós temos a
neurociência cognitiva.
A neurociência moderna busca se inserir dentro de uma ciência da Natureza, mais ampla, que
engloba a biologia, a matemática, astronomia, entre outras.
Existe uma abordagem mais atual que compreende a neurociência, tendo o estudo do cérebro
como um elemento integrativo do Homem na natureza, e de forma mais ampla no Universo.
Por essa razão, entende que os estudos do Universo Cósmico, do Universo das partículas, o
Universo das relações (expressas pela matemática) e a dinâmica da natureza, são fundamentais
para a compreensão básica do objeto da neurociência.
As leituras neurocientíficas, segundo meu ponto de vista, possibilitam-nos uma fundamentação
científica a respeito do procedimento terapêutico dentro da psicanálise e na percepção da
extensão e aprofundamento dos conceitos psicanalíticos, nos permitindo ter uma real dimensão
da importância de nossa proposta de trabalho, e do uso e manejo das teorias e técnicas
psicanalíticas.
Como exemplo, cito a mudança que ocorreu em mim, ao tomar contato com o fato da
necessidade da Repetição metódica e contínua para que haja o desenvolvimento de novas redes
neuronais. Ora, imediatamente isto me remete às questões tão em voga em nosso meio, hoje em
dia, a respeito da necessidade do número de sessões; com o respaldo da ciência, sei que, se quero
realmente fazer um trabalho onde haja mudança na Estrutura e Função do psiquismo e conteúdos
mentais, necessito do tempo do analisando como condição sine-qua-non para que a mudança
psíquica se dê, ou seja, a Repetição Sistemática e metódica dos encontros analíticos.
Nas entrevistas iniciais, ter a noção de Processo, com estruturas e funções que irão se
desenvolver ao longo de um tempo, na direção da simplicidade à complexidade (uma entre várias
características da natureza) e, saber que, segundo René Thom, (1972) postulador da teoria das
catástrofes, "o sistema mais complexo imaginável da natureza é a mente, já que por definição, a
mente deve ser pelo menos um grau mais complexa que qualquer coisa que se imagine", faz a
diferença para a proposta e exigência de trabalho, por parte do analista.
Já não é uma questão de ideologia do analista, de condições emocionais e/ou financeiras do
analisando que está em questão, mas a condição necessária para que o processo se desenvolva.
Por experiência própria posso afirmar que o entrevistado as aceita, ao receber as informações
científicas do "porque" o método psicanalítico deve ser conduzido na forma postulada por Freud.
III – EVOLUÇÃO DO PENSAMENTO CIENTÍFICO
O homem desde seus primórdios necessitou, para sua sobrevivência, interessar-se pela Realidade
que o cercava, a fim de poder controlar os estímulos ameaçadores à sua sobrevivência.
Para que isso pudesse acontecer, ele necessitou desenvolver a curiosidade sobre os fenômenos da
natureza.
Inicialmente, assim como as nossas crianças, ele começou olhar para o céu e observar o que
continha, aquilo que estava acima dele e que o ameaçava, porque ele não podia controlar. A
partir daí, o Firmamento passou a ser uma grande incógnita que ele, Homem, quis então
desvendar, para poder ter controle e com isso, se apaziguar.
Quando este pensamento foi se organizando, ele se dirigiu para os Mares, para os semelhantes,
para si mesmo, física e mentalmente, através dos médicos e filósofos, até surgir um homem que,
talvez por ter sido atormentado por outro universo, do qual ele e todos os outros desconheciam,
voltou sua genialidade para o Universo Mental e tentou penetrar em sua intimidade, como
fizeram infinidades de homens antes dele, nos mais variados campos do Conhecimento.
Para ter condições de comunicar minhas contribuições pessoais no que se refere à aplicação das
neurociências, na clínica psicanalítica, necessito primeiramente falar dos primeiros matemáticos,
e o que eles têm a ver conosco, psicanalistas do terceiro milênio.
Iniciarei colocando alguns conceitos básicos da astronomia e das matemáticas, para a formação
do campo perceptual que permitirá, penso, o entendimento das relações da neuropsicanálise e a
ciência.
O compêndio de astronomia elaborado por Cláudio Ptolomeu, sábio grego, nascido no início do
século II da era cristã, foi adotado pela Igreja durante toda a Idade Média. Sua tese de que a terra
ocupava o centro do universo, foi aceita durante 14 séculos, até ser desmentida pelas teorias de
Copérnico e Galileu.
Ptolomeu inventou o astrolábio, para calcular a altura de um corpo celeste acima da linha do
horizonte.
Baseado nas idéias de Hiparco (considerado o maior astrônomo da antiga Grécia e que elaborou
o primeiro catálogo estelar), Ptolomeu adotou o sistema geocêntrico, que situa a terra no centro
do universo, girando em torno dela, Mercúrio, Vênus, a Lua, o Sol, Marte, Júpiter, Saturno e as
estrelas.
Todos esses astros descreveriam, em suas órbitas, círculos perfeitos, conforme ensinavam Platão
e Aristóteles. Essa concepção foi adotada pelos teólogos medievais, que rejeitavam qualquer
teoria que não colocasse a terra em lugar privilegiado.
Em 1533, o matemático e astrônomo polonês, Nicolau Copérnico, publicou sua grande obra
sobre "Revoluções dos Corpos Celestes", defendendo a teoria de que a terra se move em torno do
sol, e não o contrário.
Por ter afirmado que a terra se move em torno do sol, Galileu, um dos gênios da revolução
científica do século XVII, foi preso e obrigado a uma retratação humilhante.
Em 1571 nasceu Johannes Kepler, no sul da atual Alemanha, e em 1605, descobriu que a órbita
planetária era elíptica, com o sol em um dos focos. Em 1610, leu o livro com as descobertas de
Galileu, (usando o telescópio ao mesmo tempo, para conferi-las) e escreveu uma longa carta em
suporte, que foi publicada como "Conversa com o mensageiro Sideral".
Kepler estudou também as leis que governam a passagem da luz por lentes e sistemas de lentes.
Entre 1617 e 1621 publicou sete volumes do "Compêndio da Astronomia Coperniana" que se
tornou à introdução mais importante da astronomia heliocêntrica e um livro-texto de grande uso.
A primeira parte do compêndio, publicada em 1617, foi colocada no Index de livros proibidos
pela Igreja Católica. A razão da proibição era de que, no Salmo 104:5, do Antigo Testamento, da
Bíblia, está escrito: "Fundaste a terra com bases sólidas que são eternamente inabaláveis", ou
seja, que Deus havia colocado a terra em suas fundações, para que nunca se movessem.
Kepler publicou suas três famosas leis para o Universo, em 1642.
A síntese desse trabalho foi a "Teoria da Gravitação Universal", formulada pelo físico inglês,
Isaac Newton que nasceu em 1641, menos de um ano após a morte de Galileu e apesar de não
ter se destacado muito nos estudos antes da adolescência, consta que se deleitava com pequenas
invenções e construções de pequenos objetos, desde pipas até relógios solares e de água. Estudou
na Universidade de Cambridge, onde também não foi considerado excepcionalmente brilhante,
mas mesmo assim desenvolveu um recurso matemático que ainda hoje leva seu nome: o binômio
de Newton.
Na época em que se formou, uma epidemia de peste assolava Londres, o que o fez retirar-se para
a fazenda da mãe. Foi ali que fez sua observação mais famosa: viu uma maçã cair de uma árvore.
Esse fenômeno corriqueiro o levou a pensar que haveria uma força puxando a fruta para a terra
e que essa mesma força poderia também estar puxando a lua, impedindo-a de escapar de sua
órbita, espaço à fora. Só bem mais tarde, levando em conta os estudos de Galileu e Kepler, além
de suas próprias experiências e cálculos, Newton formularia essa idéia no seguinte princípio:
"A velocidade da queda é proporcional à força da gravidade, e inversamente proporcional ao
quadrado da distância até o centro da terra".
Essa teria sido a primeira vez que se cogitava que uma mesma lei física (a atração dos corpos)
pudesse se aplicar tanto a objetos terrestres quanto a corpos celestes. Até então, seguindo o
raciocínio de Aristóteles, achava-se que esses mundos ___ Terra e Céu ___ tivessem naturezas
completamente diferentes, sendo cada um, regido por um conjunto específico de leis. Em sua
modéstia, Newton disse, sobre a descoberta: "Se enxerguei além dos outros, é porque estava no
ombro de gigantes".
Newton fez inúmeras descobertas, e teve um debate famoso, que manteve durante toda sua vida
com Robert Hooke, seu colega na Royal Society, a respeito da natureza da luz, que nos é
particularmente interessante: seria a luz composta por partículas como ele pensava ou era feita de
ondas, como pensava Hooke.
Hoje se sabe que ambos estavam parcialmente certos, pois a luz tem uma natureza simultânea
(assim como tudo na natureza) ondulatória e corpuscular.
Certa vez, o astrônomo Edmund Halley (o descobridor do cometa que leva seu nome) perguntoulhe
como conseguira realizar tantas descobertas notáveis, e ele respondeu que as atribuía mais a
um esforço contínuo do pensamento do que à inspiração ou à percepção súbita.
Podemos perceber que nessa resposta está implícita toda a idéia de processo de desenvolvimento
mental, que fundamenta o trabalho psicanalítico clínico.
Outro cientista importante para a compreensão dos conceitos psicanalíticos, entre nós, é
Poincaré, citado por Bion em suas obras, pois foi alguém que teve uma influência na obra
bioniana, maior do que muitos de nós pudéssemos supor.
Jules Henri Poincaré, nasceu em 1845 e faleceu em 1912. Nasceu em Nancy, França, foi
engenheiro, astrônomo, físico, e esteve entre os melhores de sua época. Humanista, filósofo e
poliglota, destacou-se como um estilista de sua língua, tornando-se inclusive membro da
Academia Francesa.
Publicou em 1902 a "Ciência e a Hipótese" e "Valor da Ciência", em 1915, "Ciência e Método",
em 1908 e em 1913 foram publicados postumamente, seus últimos artigos de divulgação em
"Filosofia das Ciências", em "Dernières Pensées" (Últimos Pensamentos).
De 1916 a 1956, surgiu sua obra completa, em onze volumes e foi publicada pela Academia de
Ciências.
Poincaré publicou, em vida, cerca de quinhentos trabalhos, principalmente em Mecânica Celeste,
Física, Eletricidade e em todas as áreas da matemática pura e aplicada.
Ele teve como interesse, a tentativa de romper com o convencionalismo sistemático e
generalizado, de sábios e filósofos.
Na introdução de seu livro "O Valor da Ciência" inicia dizendo: "A busca da verdade deve ser o
objetivo de nossa atividade; é o único fim digno dela. Não há dúvida de que devemos nos
esforçar por aliviar os sofrimentos humanos, mas por que?".
Não sofrer é um ideal negativo que seria atingido mais seguramente com o aniquilamento do
mundo. Se cada vez mais queremos libertar o homem das preocupações materiais, é para que ele
possa empregar no estudo e na contemplação da verdade sua liberdade conquistada.
Entretanto, às vezes a verdade nos amedronta.
E de fato sabemos que por vezes ela é decepcionante, é um fantasma que só nos aparece para
fugir sem cessar, e que é preciso persegui-la até mais e mais adiante, sem jamais conseguir
atingi-la.
...Além disso para buscar a verdade é preciso ser independente, inteiramente independente... Eis
porque muitos de nós se amedrontam com a verdade; consideram-na como uma causa de
fraqueza. E contudo não se deve teme-la, porque só a verdade é bela.
Quando falo aqui da verdade, sem dúvida quero falar primeiro da verdade científica; mas quero
falar também da verdade moral, da qual o que chamamos de justiça não é senão um dos aspectos.
Parece que abuso das palavras, que reúno sob um mesmo nome dois objetos que nada têm em
comum: que a verdade científica, que se demonstra, não pode, de modo algum se aproximar da
verdade moral, que se sente.
Contudo, não posso separá-las, e aqueles que amam uma não podem deixar de amar a outra, é
preciso esforçar-se para libertar completamente a alma do preconceito e da paixão, é preciso
alcançar a sinceridade absoluta. Essas duas espécies de verdade, uma vez descobertas, irão
proporcionar-nos a mesma alegria...
... Se não devemos ter medo da verdade moral, a fortiori não devemos ter medo da verdade
científica. Em primeiro lugar, esta não pode estar em conflito com a moral...
... Mas se temos medo da ciência, é sobretudo porque esta não pode nos dar felicidade. É
evidente que não, isso ela não pode nos dar, e podemos nos perguntar se o animal não sofre
menos que o homem.
Mas podemos nos deplorar a perda daquele paraíso terrestre onde o homem, semelhante ao
animal irracional, era realmente imortal porque não sabia que ia morrer?
... Mas se a verdade é o único fim que merece ser perseguido, podemos nós um dia atingi-lo? Eis
aí algo de que é preciso duvidar..."
No último capítulo do mesmo livro no capítulo X item 8, ele finaliza o livro dizendo algo que
para nós é muito familiar: "Toda ação deve ter um objetivo. Devemos sofrer, devemos trabalhar,
devemos pagar nosso lugar no espetáculo, mas é para ver; ou ao menos para que um dia outros
vejam.
Tudo o que não é pensamento é o puro nada, uma vez que não podemos pensar o pensamento e
todas as palavras de que dispomos para falar das coisas só podem exprimir pensamentos; dizer
que há outra coisa que não é o pensamento, portanto, é uma afirmação que não pode ter sentido.
E contudo ___ estranha contradição para aqueles que crêem no tempo ___ a história geológica nos
mostra que a vida não é mais que um curto episódio entre duas eternidades de morte e que, nesse
próprio episódio, o pensamento consciente não durou e não durará mais que um minuto. O
pensamento não é mais que um clarão em meio a uma longa noite.
Mas esse clarão é tudo."
IV – A MENTE VISTA DO PONTO DE VISTA NEUROCIENTÍFICO
Segundo Parthenope Bion Tálamo, filha de Bion (recentemente falecida), seu pai e outro
psicanalista Matte Blanco, de maneiras distintas utilizaram alguns conceitos e teorias
matemáticas em seus trabalhos de teorização psicanalítica, que segundo seu ponto de vista, abriu
uma possibilidade para que a psicanálise começasse a ascender na hierarquia das Ciências.
Inclusive, em sua tese de doutorado ela introduz um tema na segunda parte "a aplicação da
matemática às teorias psicanalíticas", colocando no item VIII, "A aplicação da matemática à
psicanálise na obra de W. R. Bion, "em seu livro "Metapsicologia y Metamatemática em Algunas
Teorias Psicoanalíticas Recientes", onde logo no início do capítulo, item VI, ela nos diz que se
Matte Blanco sofreu a influência de Bertrand Russel, durante sua permanência na Inglaterra,
Bion partiu de um tipo de matemática muito relacionada ao intuicionismo e foi "fortemente
influenciado por Poincaré", e em nota de roda-pé acrescenta "principalmente no texto Science
and method, New York: Dover Publications, 1908".
Nos diz também que o outro motivo pelo qual o trabalho de Poincaré atraiu a atenção de Bion,
foi a idéia de Poincaré a respeito da origem da matemática ter surgido da esquematização
interior; esquematização essa que se baseia na intuição que todos nós temos do espaço ao redor
do nosso corpo, ou seja, do mundo externo.
Ela nos diz que Poincaré tinha a idéia de que nosso conceito de espaço físico se desenvolve de
modo muito subjetivo: todo espaço externo próximo a nós é concebido a partir da referência do
nosso próprio corpo.
Somente essas poucas informações já nos permite abrir um leque de ligações a respeito do
interesse de Bion pela obra não só de Freud, mas principalmente à de Melanie Klein, no que diz
respeito às relações do self com os primeiros objetos, que serão concebidos a partir da referência
do próprio corpo.
As dificuldades com a realidade, das crianças ou mesmo pessoas adultas, como sendo resultado
de imbricamentos e dificuldades com seu interior, são algumas das ligações que de imediato a
leitura nos sugere.
Fazendo minhas próprias leituras sobre Poincaré em "A ciência e a hipótese" e "O valor da
ciência", percebi que Bion faz uso das obras de Poincaré no que concerne às idéias de Verdade,
Ordem, Caos, Turbulência, que são conceitos chaves da matemática e física, e em meu entender
são leituras indispensáveis, enriquecedoras e complementares à compreensão mais aprofundada
das obras de Bion.
Para se entender o conceito de Continente-Contido, além da necessidade da compreensão do
conceito de Entropia (citado por Freud como a segunda lei da Termodinâmica), penso que a
Teoria das Catástrofes, inventada pelo matemático francês René Thom, nos proporciona uma
melhor compreensão do termo mudança catastrófica tão usado por Bion.
A teoria das catástrofes, segundo Alexandre Woodcok e Monte Davis, (1986) supõe uma nova
forma de contemplar as mudanças repentinas onde quer que elas se apresentem: na natureza, na
sociedade ou em nossa mente.
Ambos escreveram o livro "Teoria de las Catástrofes" e dizem que é uma teoria revolucionária,
que funciona através da transformação dos conceitos abstratos em algumas formas geométricas
específicas, as chamadas catástrofes.
René Thom usa uma linguagem matemática criada para descrever e classificar mudanças
repentinas.
A palavra catástrofe sugere uma forte associação com a palavra desastre, mas por catástrofe
devemos entender todos os tipos de mudanças no curso de um acontecimento e no
comportamento de um sistema e mesmo nas idéias.
Então, para os psicanalistas, penso que se torna mais claro que quando Bion fala de mudança
catastrófica está se referindo à mudança psíquica, ou seja, uma modificação brusca na forma do
funcionamento mental e que geralmente é acompanhada de medo e até pânico, pelo paciente.
René Thom começou a desenvolver suas idéias por volta da década de 70, no Instituto de Altos
Estudos Científicos, na França.
Ele era um matemático puro, com conhecimentos de ótica e outros ramos da ciência mas não era
especialista em nenhuma delas. Seu interesse científico estava baseado na busca do
conhecimento sobre a ordem na natureza e como essa ordem reflete em todas as teorias
científicas. Podemos dizer que ele é, o que se pode chamar de um filósofo da natureza.
Retornando aos primórdios do desenvolvimento da ciência baseada na natureza, diríamos que,
Copérnico rompeu com Establishment de 14 séculos ao perceber os movimentos imperceptíveis
da terra, e Newton percebeu que há uma lei geral que rege todos os fenômenos; a mente sendo
um sistema natural, está subordinada às leis da natureza e apresenta movimentos imperceptíveis.
Portanto a lei que rege o universo rege também os corpos sólidos, as relações sociais e a vida
mental.
Este fato nos permite usar na psicanálise conceitos gerais descobertos por outras ciências que
descrevem a natureza, e saber que na busca do conhecimento sobre a vida, vários campos se
interligam.
Na visão de Murray Gell-Man, prêmio Nobel em Física, descobridor do Quark, o elemento mais
simples do universo, já demonstrado (fala-se no Lepton, que foi demonstrado apenas
teoricamente mas ainda não foi confirmado) e foi chamado por ele de "Tijolo do Universo", a
transdisciplinaridade é possível em função destes campos estarem interligados no que diz
respeito à observação dos fenômenos da vida humana, onde são inexistentes as fronteiras entre as
ciências. Estas se intercruzam sem perder as identidades que lhe são próprias.
Assim, a psicanálise irá se ligar, como já se ligou no passado desde Freud, com várias outras
disciplinas no que diz respeito à descrição dos fenômenos mentais, sem porém deixar de ter sua
própria metapsicologia.
Escrevendo à respeito do problema da qualidade, em seu "Projeto para uma Psicologia
Científica", (1895) ele afirma que toda teoria psicológica "deve satisfazer os requisitos do ponto
de vista da ciência natural." (vol. I, pg. 409), e no volume XIV no artigo sobre o Inconsciente,
(1915) no tópico I "justificação do conceito de inconsciente", na pg. 200, último parágrafo, diz:
"a pesquisa tem nos fornecido provas irrefutáveis de que a atividade mental está vinculada à
função do cérebro como a nenhum outro órgão. Avançamos __ não sabemos até que ponto __ com
a descoberta da importância desigual das diferentes partes do cérebro e de suas relações especiais
com partes específicas do corpo e com atividade mentais específicas".
Alain Prochiantz, (1991) autor do livro "A Construção do Cérebro" faz um caminho oposto,
indo da neurologia até os fenômenos mentais. Ele diz que a neurobiologia faz parte das
neurociências, e que a revolução neurológica (denominada por Jean-Pierre Changeux) instaura
uma verdadeira revolução intelectual, comparável à revolução que a física promoveu no
princípio do século passado (século XX) com o aparecimento da Teoria da Relatividade e o
progresso surpreendente da mecânica Quântica.
O franco desenvolvimento das neurociências nos põe em xeque algumas noções chaves da nossa
compreensão do mundo que começam a oscilar, tendendo a ruir, como aconteceu em relação a
espaço e ao tempo, à estrutura da matéria e aos limites do poder do conhecimento humano.
E que está surgindo no horizonte, de um ângulo inusitado, "graves e irredutíveis questões
filosóficas que desta vez dizem respeito à natureza do pensamento e da linguagem, à relação
entre o inato e o adquirido, à própria noção de "Indivíduo", ao lugar da nossa espécie na escala
evolutiva", e que estas investigações proporcionam aplicações que podem modificar não somente
nosso modo de pensar mas também de viver, e que naturalmente fazem surgir o "entusiasmo e a
angústia ao mesmo tempo".
Retornando a René Thom, um segundo aspecto da Teoria das Catástrofes que me interessou diz
respeito à similaridade das formas existentes no mundo; a similaridade entre a configuração
das formas dos ramos de uma árvore, de um sistema fluvial e uma célula nervosa, por exemplo, e
como surgiu essa similaridade qualitativa entre os três conjuntos de circunstâncias diferentes.
Tenho interesse neste trabalho, em abordar a questão da similaridade entre as qualidades do
Sistema Psíquico e outras configurações do Universo, que me permitam avançar no
conhecimento da vida mental e na melhor compreensão dos postulados psicanalíticos, pois
segundo René Thom, há na natureza Harmonia e Regularidade imperceptíveis a olho nu.
Sendo a mente um elemento natural, exibe portanto, como qualquer outro processo natural,
algum tipo de regularidade local que permite a alguém distinguir recorrentes identificáveis que
serão denominadas com palavras, pois de outra forma, o processo seria caótico e não haveria
nada do que falar.
Esses elementos recorrentes identificáveis, que Bion chamou de Invariantes, têm Estabilidade
Estrutural no fenômeno observado, e toda ciência se baseia na suposição implícita da
estabilidade estrutural.
A ciência só é possível, somente se, as observações e resultados forem qualitativamente
repetidos. Há repetição, até atingir-se um limite que rompe a estrutura até então existente,
mudando a qualidade dessa estrutura (pois a quantidade muda a qualidade).
Penso que quando Bion fala em elementos invariantes da personalidade, ele está se referindo a
este tipo de regularidade nos fenômenos mentais e que nos permite a noção de vida mental e
traços da personalidade.
Os elementos invariantes são elementos recorrentes, identificáveis porque têm uma estabilidade
estrutural.
Esta é a primeira correlação que faço com o método psicanalítico: quando o analista repete várias
vezes a interpretação e/ou o apontamento de uma situação psíquica, esta ruptura se dá com a
conseqüente mudança de qualidade mental, que é o salto qualitativo para a autopercepção dos
fenômenos mentais, que até então estavam inconscientes para o analisando, e que em psicanálise
chamamos de elaboração. Segundo Yusaku Soussumi, (1995) em neurociências as invariantes
são as primeiras experiências emocionais significativas e/ou traumáticas que ficaram registradas
nos circuitos neuronais e que tendem a repetir-se automaticamente em forma de comportamento,
e que são em realidade as memórias chamadas procedurais (do procedimento), destituídas de
representação (lembranças). São chamadas de categorização, porque são o primeiro tipo de
categoria de idéias à respeito dessas experiências.
Em análise, a repetição das interpretações a respeito dessas experiências precoces, permite a
recategorização (elaboração) e que é desenvolvida pelas regiões pré-frontal e frontal do cérebro,
que têm a capacidade de simbolizar.
A repetição contínua das interpretações desenvolve a córtex cerebral, pré-frontal que permite ao
analisando ser capaz cada vez mais de simbolizar (devido à plasticidade cerebral) e desenvolver
a neocategorização, que é o salto qualitativo, o salto para a percepção, o novo, dizendo
neurocientificamente, novas categorias neuronais, nova ordem de valores. Valores intelectuais e
morais com qualidades diferentes das anteriores.
Nos artigos "Recordar, Repetir e Elaborar" (1914) (vol.XII) e "Uma nota sobre o 'Bloco
Mágico'" (1925) (vol. XIX), podemos entender estes conceitos escritos em uma linguagem
puramente psicanalítica.
Os registros mnêmicos das primeiras experiências, com os objetos primários, torna-se conceito
facilmente inteligível se pensarmos nesses traços mnêmicos como a necessidade da natureza em
preservar o que desenvolve, para que a evolução se processe, porque se não houver o
"imprinting", o registro das memórias precoces (por isso são indeléveis), não haveria base para o
desenvolvimento e aprendizado, cada vez seria uma experiência nova.
Se não houvesse fenômeno da regressão, e o ser humano perdesse os traços mnêmicos das
experiências infantis, não haveria a possibilidade materna da Identificação com as condições
infantis, que possibilitam o revêrie, e aos analistas identificar-se com as crianças (ludoterapia) ou
adultos que estão aprisionados nas lembranças regressivas, pois ele, assim como a mãe, regride
para poder captar e identificar-se com o estado mental do analisando, mas em ambos os casos
trata-se de uma regressão sem o abandono de posições mentais mais integradas, permitindo com
isso a Integração no analisando, onde o terceiro surge, que é dar função ao novo que está sendo
agregado ao conhecido, ou seja, a inserção do novo na estrutura já existente, porque este é o
caminho que a natureza trilha: agregar novas estruturas às já existentes, que são conservadas
(aspecto conservador e econômico) e a evolução se dá sempre partindo da simplicidade para a
complexidade.
A integração diz respeito à capacidade de obtenção da percepção da similaridade qualitativa
entre os fenômenos.
A dinâmica oscilatória apontada por Bion PEP ↔ PD, indicando Regressão ___ Progressão, está
relacionada às análises de Poincaré onde ele fala do imbricamento de Ordem e Desordem na
natureza, e portanto na mente, havendo continuamente uma transição progressiva de um estado à
outro, onde parcelas de Ordem são recuperadas na desordem estabelecida, onde ordem e caos são
inseparáveis e estão sempre presentes em conjunto, quer se trate de Mecânica Celeste, jogo de
números ou vida mental.
A oscilação é necessária para que haja o equilíbrio das duas tendências. A oscilação dá
segurança, leva ao equilíbrio homeostático, dinâmico. É ela (oscilação) que permite o salto
qualitativo.
O termo equilíbrio foi recuperado por Freud para uso psicanalítico e é um termo que pertence à
Física, assim como tensão, carga, descarga.
Outro conceito importante dentro da psicanálise, a partir de Bion, é o de Continente ___ Contido,
e que em realidade está baseado no conceito da Física, conceito de Sistema Dissipativo, que é a
segunda lei da Termodinâmica, que postula que, quando dois sistemas ou corpos estão próximos
eles interagem e o mais forte absorve a energia do menor, por algum tempo, invertendo-se depois
o movimento, do menor para o maior.
Esse movimento interativo é imperceptível ao olho humano e é chamado de Sistema Dissipativo
onde, um dissipa a energia do outro e é dissipado por este. Essa interação confere a estabilidade
do sistema, na busca da homeostasis (o mesmo estado), na busca do equilíbrio.
No processo analítico a continência do analista é extremamente importante e necessária como
estabilidade psíquica, que o analisando ainda não tem (mas vai desenvolvendo dentro do
processo) para que a dinâmica mental se processe.
O continente contém em seu interior, um contido estranho a ele (continente), contido esse que
não está tendo continente próprio.
O continente contém em seu interior, outro continente com seu contido, dando-lhe suporte,
consistência, integração e integridade, por algum tempo, até que o continente estranho possa
suportar seu contido, dando-lhe consistência, integridade e integração.
Em neurociência, são dois sistemas interagindo. O primeiro sistema, mais forte, retira aos poucos
a energia do segundo sistema através da atração. O movimento é imperceptível (idêntico ao que
Copérnico percebeu em relação ao movimento da terra).
Em um segundo momento, o segundo sistema inicia também imperceptivelmente, o movimento
semelhante de absorção.
Para mim, esses conceitos ajudaram a ampliar vários outros, de Continente ___ Contido e
Transferência ___ Contratransferência, onde ao longo de uma análise, o analisando vai
internalizando e desenvolvendo, de forma autônoma, as condições mentais desenvolvidas
(adultas) do analista.
Segundo Yusaku Soussumi, (2001) esses sistemas, tem termos cerebrais, atuam na região subcortical
do cérebro, no hemisfério direito que é de natureza mais emocional e intuitiva, onde as
experiências emocionais são inconscientes, experimentadas pela dupla analítica.
Finalizando neste trabalho as correlações que busquei fazer, passo à memória e suas qualidades,
citando ou fazendo correlações com os conceitos freudiano, kleiniano e encerrando, comentarei a
idéia que faço à respeito do conceito de Establishment (estabilidade estrutural qualitativa) no que
se refere à sua importância.
A natureza é simples e repete as poucas formas que desenvolve, em combinações criativas em
contínuo processo de evolução.
Toda teoria freudiana é baseada nessa noção de tendência contínua da natureza a se repetir.
Compulsão à repetição é pois, inerente à natureza. Segundo Y. Soussumi, (1999 e 2001) "a
repetição é uma memória", porque a natureza sento econômica e conservadora, registra suas
criações a fim de criar a estrutura e manter a vida, transmitindo-a.
Repete suas criações em várias situações diferentes, como por exemplo, os ramos das árvores
têm forma idêntica aos raios no céu, a rede dos afluentes dos rios, os vasos sanguíneos e as
rachaduras da parede.
Segundo Gell-Man, o ciclo evolutivo da natureza é repetitivo e ela tem uma força propulsora
para a ligação.
Isto fundamenta a idéia freudiana do Instinto de Vida, como uma tendência a aglutinar unidades
cada vez maiores, uma tendência portanto, à expansão sem limites. (vol. XXIII, a Teoria dos
Instintos, (1938) pg. 173 "Depois de muito hesitar e vacilar decidimos presumir a existência de
apenas dois instintos básicos Eros e o instinto destrutivo. ...O objetivo do primeiro desses
instintos básicos é estabelecer unidades cada vez maiores e assim preserva-las ___ em resumo,
unir)".
Outra característica importante é que a natureza se desenvolve da simplicidade para a
complexidade, em forma de bricolagem ___ termo tirado do francês bricoler, que tem vários
sentidos, dos quais dois nos interessam; o primeiro é, não seguir um caminho direto, usar de
meios tortuosos ou indiretos, e o outro, mais comum, refere-se a uma atividade com conotação
lúdica onde a pessoa faz pequenos reparos em objetos da casa, sem a ajuda externa e que
modifica a aparência ou a função do objeto...
 
[1] Trabalho  apresentado em Reunião Científica da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo no dia 17/10/2002 (quinta-feira), às 21h, à Av. Dr. Cardoso de Melo, 1450 – 9º sala D. Terá como comentador: Yusaku Soussumi.
____________________________________________
Sônia Pinto Alves Soussumi -
Psicanalista IPA - Membro Efetivo
Docente da SBPSP
Membro Honorário de SPMS
Membro Associado da SPR
Membro do NPA
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