Em 22/08/2018
 

Entrevista - Dr. Deocleciano Bendocchi Alves (SBPSP)

O psicanalista é um dos convidados da XVI Jornada de Psicanálise de Aracaju


Dr. Deocleciano Bendocchi Alves – médico, membro efetivo, psicanalista didata e de crianças da Sociedade Brasileira de Psicanálise de São Paulo. Conferencista convidado para a XVI Jornada de Psicanálise de Aracaju, que ocorrerá nos dias 19 e 20 de outubro de 2018, como o tema “O Estranho Familiar”.

Entrevista realizada por Rodrigo Gama Goulart – psicólogo, psicanalista em formação pelo Instituto de Psicanálise da Sociedade Psicanalítica do Recife, membro e Diretor Administrativo do NPA, membro fundador do IPFR A.B. Ferrari/Brasil.


 

NPA – Dr. Deocleciano, primeiramente gostaria de agradecer a sua generosidade em atender prontamente ao nosso pedido para conceder esta entrevista. É um analista bastante experiente, como sabemos, mas qual o percurso até o seu primeiro contato com a Psicanálise e como se deu o seu posterior desenvolvimento como psicanalista?

Dr. Deocleciano – Rodrigo, agradeço o seu convite para expor algumas ideias sobre Psicanálise.

Uma vez formado em medicina, ao terminar minha residência, mudei-me com um colega, também médico, para uma pequena cidade no oeste de São Paulo, na barranca do rio Paraná. Éramos uma espécie de faz tudo, pois não havia outro profissional na região. No meu trabalho clínico inicial percebi que havia outros problemas associados que não seriam resolvidos com um tratamento das doenças. Havia concomitantemente queixas de natureza emocional ou simplesmente a necessidade de falar sobre a vida psíquico-emocional. Diante desta constatação, senti que precisava me preparar para este aspecto humano: o sofrimento psíquico-emocional. Para iniciar minha preparação, mudei-me para São Paulo e comecei a minha análise e a seguir ingressei no Instituto de Psicanálise e tornei-me psicanalista, trabalho que me ocupa ainda hoje.

Fiz análise pessoal por cerca de trinta anos com dois analistas, o que foi fundamental para o meu desenvolvimento. Penso que uma psicanálise longa e profunda é o indispensável para qualquer indivíduo que tenha o talento necessário e queira ouvir um ser humano que precisa de ajuda.

O trabalho clínico que venho fazendo todos esses anos tem me possibilitado progressivamente conhecer a nossa natural humanidade.


 

NPA – O tema proposto para a XVI Jornada de Psicanálise do NPA, que acontecerá em outubro deste ano, é “O Estranho Familiar”. O que pensa sobre o tema e qual a expectativa para o evento?

Dr. Deocleciano – Todo encontro de psicanalistas propicia uma movimentação de ideias e temas. Surgem sempre novidades e indagações entre os participantes. O estado de mente necessário para estar no encontro é ser aberto ao novo que surge e estar ignorante para aprender. Precisa também ser participante, curioso e aberto para o desconhecido. No decorrer do tempo sempre houve novas ideias e temas que se repetem sob novos aspectos, mas o fundamental em Psicanálise será sempre a formulação freudiana: a Psicanálise se ocupa do desconhecido da mente de um indivíduo; e se realiza no trabalho que se desencadeia no relacionamento entre dois seres humanos no isolamento de uma sala de trabalho. Isto é Psicanálise apesar dos temas emergentes.


 

NPA – No segundo dia do evento o senhor proferirá uma conferência com o título “Psicanálise de Crianças – Estados Primitivos da Mente”. O que pode nos adiantar a respeito?

Dr. Deocleciano – Psicanálise se aplica aos que necessitam e querem se desenvolver. Não é para tratar, curar ou domesticar. As crianças são trazidas pelos pais que têm muitos desejos em relação aos filhos, mas uma criança já é um ser diferente dos pais e das expectativas dos mesmos. Como no adulto, precisamos nos abster de desejos, memórias e compreensão para podermos cooperar com o chamado analisando. O analisando precisa começar a existir no exato momento em que o analista está disposto a participar da experiência psicanalítica, seja criança ou adulto.


 

NPA – A psicanálise surge, é desenvolvida e apreendida a partir da experiência clínica, da análise pessoal do analista e da experiência em consultório com nossos próprios pacientes além, claro, das supervisões e intenso estudo teórico. Também no segundo dia do evento haverá uma mesa de discussão clínica. Seria uma espécie de exercício para pensarmos o que acontece numa sessão analítica? O que pensa sobre isso?

Dr. Deocleciano – Penso que uma discussão clínica é um exercício sobre alguma situação humana entre pessoas que pensam que têm alguma experiência a compartilhar. Compartilhar o que? Compartilhar a humanidade vivida.


 

NPA – Gostaria de deixar uma mensagem aos que pretendem participar da XVI Jornada?

Dr. Deocleciano – Uma mensagem? Venham viver conosco uma experiência de vida psíquica. Ajude-nos a conhecer um pouco mais esse ser, que somos nós – o homem.

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