Em 22/09/2015
 

Sobre viagens, turistas e descobertas

No texto a autora faz uma reflexão sobre a viagem que empreendemos a cada dia .


Sobre viagens, turistas e descobertas

 

Quer imprimir ou arquivar? Clique aqui.

 

Amo viajar. Adoro cada detalhe,  a compra da passagem, arrumar a mala, escolher as roupas, conhecer novos lugares, embarcar rumo a um lugar desconhecido...

 

Eu viajo na viagem. E , para mim, ela  começa antes do embarque.

 

Por motivos pessoais, viajei a Salvador, minha cidade natal, por três dias. Tempo suficiente para que a "emoção" da viagem tomasse conta e mim.

 

"Como assim", me questionaram? "Você já conhece Salvador, nasceu lá, é local não é turista".

 

Lembro documentário de um amigo. Ele me dizia que nunca foi assaltado em sua cidade natal "é um lugar que eu conheço, sei onde ir e onde não ir, me cuido. Turista não, chega sem conhecer nada, dá vacilo".

 

 Sigo viajando e me pergunto se nos cuidamos mais porque somos locais "ou repetimos rotas "seguras" com medo de sermos "assaltados" pelos imprevistos que fazem parte da vida?

Sigo na "minha viagem" e me pergunto  o que é ser turista.

 

Ser turista é acordar, desfrutar de um bom café da manhã,  saboreando cada bocado, provando novas iguarias. É arrumar a bolsa e sair, observando novas paisagens e cenários. É, humildemente, perceber que não conhecemos caminhos ou rotas e pedir ajuda quando nos sentimos  perdidos ou confusos sem saber que caminho seguir . É estar atento aos nossos sentidos e intuições e andar com cuidado por ruas e estradas já que não "conhecemos o caminho".

 

Desfrutamos da "viagem" quando somos turistas  e, algumas vezes,  nos tornamos locais da nossa própria vida. Repetimos "rotas seguras", viajamos com o "piloto automático" ligado numa ilusão onipotente de sentir-nos protegidos dos "assaltos" e dos imprevistos que fazem parte da vida. Por vezes optamos seguir uma rota "conhecida"que nos priva do mais importante da viagem: VIVER.

 

Viver com os "assaltos" e os imprevistos mas também com a descoberta das belezas do cenário e com o aprendizado nas mudanças do caminho.

 

Penso que deveríamos nos sentir turistas todos os dias, afinal , cada dia é uma nova viagem; cada dia é único e diferente. A estrada que percorremos no dia anterior não é mais a mesma, somos diferentes e únicos e a viagem começa a cada amanhecer.

 

Sendo assim, desejo aos senhores passageiros e turistas que desfrutem dessa fantástica viagem diária chamada VIDA!

 

Ana Rita Menezes da Silva de Pineyro

Psiquiatra,

Postulante a formação psicanalítica pela

Sociedade Psicanalítica do Recife.

anaritamenezessp@gmail.com

data de publicação: 22/09/2015

1 comentário(s) | Envie seu comentário
Envie seu comentário
Seu nome *

Seu e-mail *
Seu comentário *
Comentário(s)
postado por Sergio Buonamassa em 22/09/2015 às 08:29

Cara, muito QUERIDA Autora, Acredito que Heráclito, o filosofo grego do "Panta Rei", tudo corre, tudo passa, tenha dito algo tipo: " ao entrar no rio, depois tu não serás mais a mesma pessoa e o rio também não será mais o mesmo". Os dias parecem correr iguais, acordamos, tomamos café, arrumamos, saímos para trabalhar, estudar, cuidar da saúde, etc. etc. etc. Sempre presos aos horários dos compromissos.....Mas na realidade, eu acredito que nenhum dia é igual ao outro, cada dia nós somos algo diferente do dia anterior, e acredito que, estando-nós dispostos, somos pessoas melhor a cada dia.....Turista na própria cidade natal é algo indescritível, é algo que precisa ser vivido porque, se por acaso a paisagem, o monumento, o prédio, a praça, a rua permaneceram as mesmas, nós certamente mudamos, afinamos o olhar, a percepção de algo que acreditávamos já conhecer. No meu caso especifico, fico feliz de poder desfrutar um bom café, um passeio, e tudo mais, sempre em agradável companhia...Muito mais que agradável, algo muito mais profundo. Parabéns pelo artigo, espero ler mais e mais e mais outros....
 

Leia também

A garotinha que conheceu o mar 04/05/2017

A partir de cenas do cotidiano, Ana Rita Menezes se aproxima do pensamento de Bion

Ponyo e o olhar psicanalítico pela janela da amizade 28/03/2017

O filme Ponyo será discutido durante o projeto Psicanálise & Cinema do NPA no dia 30 de Março.

Akira Kurosawa, uma personalidade complexa e nem sempre compreendida 22/02/2017

No dia 23/02, às 19h30 no Auditório do Centro Médico Luiz Cunha, Yusaku Soussumi comenta o filme Madadayo

Em defesa de uma confiabilidade ambiental mínima 07/02/2017

Fábio Brodacz reflete sobre a exposição infantil em tempos de compartilhamentos constantes

Um herói, por favor! 16/12/2016

A psicanalista Idete Zimerman Bizzi questiona os simulacros que povoam o mundo virtual

Prematuridade e algumas nuances 24/11/2016

Denise Alencar fala sobre os desafios de uma gestação prematura
Página anterior Voltar
Topo Topo
 
 
Google+