Em 23/06/2015
 

Entre o conectar e se conectando- Onde estão os adolescentes hoje?

Katty questiona o real papel das redes sociais nos processos de socialização e vinculação dos adolescentes. Texto mais do que atual!


Entre o conectar e se conectando- Onde estão os

adolescentes hoje?

 

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A adolescência é uma etapa do desenvolvimento humano que marca a transição entre a infância e a vida adulta, em que ocorrem mudanças físicas, mentais e sociais.

 

Essas mudanças impõem ao jovem um novo papel frente ao mundo, pode-se dizer que a primeira entrada à vida adulta é através do crescimento e pouco depois, através de suas capacidades e seus afetos.

 

Nesse processo de transição, a desobediência toma a frente da obediência, como uma forma de recusar a  fantasia da infantilidade, pois afinal, são as  crianças que devem obedecer os pais sem se rebelarem e espera-se que a genitalidade com toda sua pulsão se faça presente, despertando desejo e busca de satisfação no outro.

 

As relações sociais passam a ser fundamentais, favorecendo duas atitudes comuns: redes sociais e o  "ficar".

 

Num momento onde pertencer a um grupo passa ser fundamental e a individualização muitas vezes ameaçadora, os celulares e redes sociais me fazem pensar que são como salva -vidas, nos quais os adolescentes podem colocar suas atenções em que quiserem: têm a sensação de que serão sempre ouvidos e vistos,  tendo a ilusão de que a conexão os protege da solidão e do desamparo.

 

Apenas como um dado curioso, os brasileiros usam a internet o dobro do que em outros países e  diferente do que se acreditava, o uso da internet e redes sociais têm sido muito mais para manter as relações do que para construir, ainda que sem dúvida não me escape de pensar e considerar que a realidade concreta e virtual se confundem na percepção, de tal modo, que aquilo que muitas vezes vemos nas redes sociais, são como Photoshop das relações. Mas quem seria honesto suficiente para apresentar o que tem de pior em público, no seu grupo, principalmente na adolescência?

 

Quanto ao FICAR, é tão somente um modo de aprender, não é um modismo, mas uma nova forma de relacionamento emergente nesse nosso tempo.

 

A palavra FICAR, vem do latim figicare, que significa estacionar num lugar, não sair dele. Representa relacionamento breve, passageiro,  aquilo que não avança, imediatista entre os adolescentes.

 

Acredito que o desafio da clínica do adolescente hoje é possibilitar um espaço para esse indivíduo neste processo de transição entre infância e vida adulta, refletir e descobrir formas de evoluir em suas relações, ainda com toda tecnologia e brevidade que a vida moderna lhes oferece, evoluindo para uma relação de continuidade, menos plástica e líquida, ajudando-os a refletir sobre a importância do outro. Afinal nos constituímos a partir do Outro.

 

O sentimento do amor, desde as eras pre- históricas, comporta-se como a mais importante mola propulsora da vida.

 

O termo AMOR, procede do prefixo latim A (ausência) de Mors, que em latim, tem um significado ligado à morte.

 

A-Mors significaria" sem pulsão de morte, logo, com a vida.

 

Ajudá-los a almejar a  vida adulta, ainda que à sua volta haja tantos adultos, adultecentes, sofrendo por serem adultos, bebendo, medicados para lidarem com a frustração que sentem que é a vida adulta. Invejosos da adolescência perdida, representada pelo descompromisso, pela busca da felicidade a qualquer preço.

 

Que esses adolescentes, em meio a tantos recursos e aplicativos possam descobrir uma maneira de adultecer, sem adoecer.

 

Que possam estabelece redes importantes de trocas além das fronteiras e assim descobrir a riqueza do diferente e das infinitas possibilidades de viver que esse universo nos apresenta para quem tem sensibilidade suficiente para observar e refletir.

 

Katty  Rodrigues Buscaglione

Psicóloga e

Analista em Formação pelo GEP de Campinas

kbuscaglione@hotmail.com

data de publicação: 23/06/2015

 

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