Em 19/05/2015
 

Derrota do Amor

Aldo Christiano irá falar dos encontros e desencontros da vida e como a nossa autoestima interfere nisso.


Derrota do Amor

 

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Melanie me falou numa sessão que após ter sido demitida começou a ficar insegura no relacionamento amoroso.   -Sempre fui instável no que se refere ao trabalho. Não sei se por estar sem trabalhar, sem assunto e me sentindo tão disponível, me deixou tão insegura em relação a ele. Comecei a ter ciúme de tudo e, principalmente de todas. Qualquer filme ou revista que ele se interesse e quecontém cenas de mulheres ou sexo me incomoda. Ele diz gostar de mim, que se sente bastante atraído, mas que vivo com desconfianças que não existem. Hoje perdi muito da espontaneidade com ele. Sinto-me sem graça, magra, velha e feia quando vou seduzi-lo. Ele diz não aguentar mais minha desconfiança e de obriga-lo sempre a se justificar e a se sentir culpado. Que ele quer uma relação equilibrada e que eu não estou conseguindo dar isso. Preciso recuperar minha autoestima... parece ter ficado presa numa gaveta onde não encontro as chaves.

 

Melanie tem 40 anos e há 2 anos mora com o homem 13 anos mais velho e que tem uma vida mais estável que ela. No início do relacionamento se sentia mais jovem e interessante. Estava muito segura do amor dele. Sua vida sexual era intensa, ela gosta de despertar isso nele e de se sentir desejada.

 

Depois de muito tempo, a mulher dos seus sonhos tinha aceitado. Marcaram um encontro naquela tarde. Depois do meio dia começou a se preparar e às 16:30 horas estava pronto, perfumado, camisa nova. Às 17:30 horas foi visto no lugar marcado, com um buquê de flores na mão. Estava feliz, mas só ele sabia da intensidade das suas dúvidas.

 

-Não virá – pensou algumas vezes, olhando o relógio. -Será possível que uma mulher tão especial dê atenção a um homem como eu?

 

Seu pessimismo e desânimo cresciam conforme corriam os minutos. Quando faltavam 10 minutos para às 18 horas teve certeza que ela jamais viria ao seu encontro. Jogou com violência as flores na lata de lixo e afastou, chorando.  Nunca soube que exatamente às 18 horas, a bela mulher o esperava no lugar e hora previstos e que depois de um tempo razoável também foi embora, irritada.

 

Esta é a história real e dramática de um desencontro. A falta de confiança e os sentimentos de inferioridade o fizeram desistir, antecipadamente, do que seria o encontro mais importante da sua vida.

 

Perda da autoestima.  Um sintoma disseminado entre homens e mulheres que não conseguem ser amados quando perdem o amor próprio. O homem das flores e Melanie perdem o amor porque acreditam que não o merecem e não percebem que eles mesmos provocam os resultados que temem.  Ganhamos ou perdemos não só pelos talentos reais mas também porque muitas circunstancias da vida são como uma lanterna que ilumina com entusiasmo ou escurece com pessimismo o nosso caminho. O homem das flores, apaixonado, foi realmente escolhido por sua dama, mas como era viciado no fracasso organizou o desencontro por questões de minutos. Devido à baixa autoestima e ansiedade, preparou-se com antecedência demais e devido aos mesmos sentimentos saiu chorando do encontro que o faria feliz. Melanie está fazendo a mesma coisa. Quando perdeu o emprego também perdeu seus encantos e se tornou inútil, velha e feia. Se ela persistir assim, também será derrotada.

 

As certezas imperativas do inconsciente...muitas vezes os temores ao fracasso se transformam em fracassos reais.

 

 

Aldo Christiano 

Médico,  Psicanalista em formação

christiano.aldo@hotmail.com

data de publicação: 19/05/2015

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