Em 07/04/2015
 

Dores de Viagem

Retomando o Projeto Psicanálise e Quotidiano, ano 2015, começamos com Artur Andrade falando sobre viajar e se conhecer. Entre nessa nova viagem!


Dores de Viagem

 

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Quem nunca viajou? Por mais breve que tenha sido ou por mais simples seu motivo? Por mais longe que se tenha ido ou pelo prazer que se pôde ter? seja um ou vários os motivos sempre fica um sentimento, uma vontade, por menor que seja, de voltar à casa.

 

Esquecer o momento, parar no tempo, viajar no futuro, sentir aquele aperto antes mesmo de fazer as malas ou vê-lo nos outros, esquecendo que sabe que vai voltar.

 

Sentir aquela dor que tenta dizer algo, mas não compreendemos, apenas sentimos. A dor de saber que se vai para um lugar onde não teremos aquele colo que nos acolhe. A dor das experiências que nos fazem pensar se devemos voltar ou fazer dessa a última vez. A dor de chegar onde um dia já foi minha casa e perceber que não parece tanto a minha casa como estava lembrado. Ou de achar que poderia e deveria ter feito diferente. É quase como aquela dor que sentimos quando somos deixados pequenos na escola, como se estivéssemos revivendo tudo isso sem perceber.

 

A dor normalmente é vista como algo ruim, que vai causar mal e deve ser evitada para se estar bem. Mas a dor é também uma oportunidade que permite recriarmo-nos no mundo, desconstruir e reconstruir ideias, conceitos, atitudes. A dor, então, deixa de ser algo apenas ruim que queremos fugir, para um estado que lhe permite tentar entender e conduzir aquilo que era ruim, para um amadurecimento, um ganho de sabedoria que expande, de maneira antes inimaginável, seu mundo interno, sua mente.

 

Podemos pensar na fênix que faz sua última viagem e volta nova e rejuvenescida de seus fragmentos de cinza.

 

A dor é algo que faz parte da vida, da nossa realidade e fantasia, e fugir dela nos aproxima, sem que percebamos, de monstros que passamos a vida fugindo. Precisamos estar prontos para suportar as dores e criar ferramentas para conseguir lidar com elas da melhor maneira possível.

 

A viagem é só mais uma oportunidade para nos (re)conhecermos. Cabe a nós fazer um bom proveito dela nos mais diversos sentidos. Não como a criança que chora, mas como o pássaro fênix.

 

 

Artur Ranieri Côrtes Andrade

Graduando de Psicologia UNIT / Estudante do NPA

rani.mandra@hotmail.com

data de publicação: 07/04/2015

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