Em 10/06/2014
 

Notas sobre as pontas soltas

Danilo reflete sobre a necessidade de manter o pensamento e as expectativas em aberto sempre ao invés de continuamente fechar e concluir. Confiram!


Notas sobre as pontas soltas.

 

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Logo após a publicação do meu primeiro texto aqui no Psicanálise e Quotidiano, recebi um comentário de uma psicóloga que dizia ter gostado muito do texto, que havia compreendido muito bem, concordado e falou que não havia deixado “pontas soltas”.

 

Respondi agradecendo, mas com um comentário extra: “na realidade o que eu realmente queria era soltar as pontas”.

 

Vivemos em um mundo que nos engessa, com condições predeterminadas, impostas, regras, leis, condições sociais. Criam certezas absolutas a cada segundo que passa, a cada minuto eu penso, que o que deveríamos fazer é questionar.

 

Para mim, toda e qualquer forma de desenvolvimento e crescimento, deve vir acompanhada de perguntas, questionamentos, autoquestionamentos.

 

Assim imagino que a intenção da produção de qualquer tipo seja realmente a de possibilitar que quem o faça ou os que o compartilhem, possam fazer algo além de concordar ou aceitar, mas também indagar, produzir novas idéias, “soltar mais pontas”.

 

Dessa forma tanto quanto questionamentos originários universais, penso que devemos sempre deixar as pontas soltas, para que a nossa expansão, crescimento e transformação tenham maior alcance, mantendo a continuidade do processo do conhecimento de si e de tudo, em diferentes vértices ou possibilidades. Devemos aceitar as nossas incertezas e incompletudes, para que o futuro-presente chegue a nós de forma pura, nova, criativa, e assim possamos realmente vivê-lo. Devemos estar abertos a contínua interrogação da vida.

 

Lembro-me de Sócrates e sua mais que famosa frase: “só sei que nada sei” demonstrando, para mim, a ideia de que o suposto conhecimento, as verdades ou certezas são transitórias, mutáveis, tanto quanto nós e tudo.

 

Devemos assim questionar as respostas que nos são dadas ou recebidas, tanto quanto as próprias perguntas.

 

Talvez até mesmo a manutenção da dúvida seja o próprio caminho.

 

De que temos certeza?

 

Até agora, acho que de nada. Mas talvez alguém também questione a própria incerteza.

 

a resposta é a desgraça da pergunta

Maurice Blanchot.

 

 

 

Danilo Gama Goulart

Graduando em Psicologia

Coordenador do Cinema e Psicanálise do NPA

daniloggoulart@hotmail.com

data de publicação: 10/06/2014

 

 

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