Em 26/11/2013
 

Baixa Credibilidade

Esta semana o psicanalista Carlos Vieira fala sobre as distorções do papel do Estado através dos poderes executivo e judiciário levantando a discussão sobre a Ética, a classe política e o futuro da nação.


Baixa Credibilidade

 

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O Brasil dos últimos tempos é um país que perde gradativamente a credibilidade na função da Justiça, no compromisso social da classe política e na responsabilidade do Executivo em atender às necessidades básicas de uma nação: educação, saúde, segurança, assistência social, política tributária e melhor distribuição de renda.

 

A perda da confiabilidade na classe política, por exemplo, deixa uma interrogação séria: como irá se orientar o eleitor nas eleições de 2014? Qual o partido que apresenta um programa de governo confiável?

 

A classe política vem a cada dia se desgastando, na medida em que não sentimos um compromisso com suas promessas de campanhas. A transparência parece ser uma coisa muito difícil dos políticos praticarem. Não se comprometem, não sabemos quem votou contra ou a favor, quando se trata de punir seus próprios colegas. Até agora não assumiram a importância de uma reforma política que traga condições de desenvolvimento da democracia. Aparecem a cada hora na mídia, como participantes de quadrilhas, de crimes de corrupção e de facilidades que seus cargos promovem. Dão as costas à juventude desesperada que foi à rua gritar, bradar, pedir mudanças estruturais no Parlamento.

 

O Judiciário é um mistério! Ás vezes parece que estamos protegidos por seu dever ético. Outra hora, assistimos à relutância em julgar “os mensalões” com isenção de interesses partidários e compromissos governamentais.

 

O Poder Executivo está confuso, perdido em suas políticas de governo, hesitante em tomar decisões que atendam aos pedidos da população, pois estamos entrando no ano que antecede as eleições. No Brasil, qual é a dificuldade de fazer planos de governo que olhem para o futuro, independente de interesses eleitoreiros?

 

A população está entrando num estado de desespero, de descrença total, e isso não é bom! Como as instituições podem propiciar uma identidade nacional, uma identidade ética aos jovens, desacreditados em relação à Ética, à Política, à Justiça e aos compromissos do Estado?

 

Assistindo a um programa de televisão, escutei um dado que espanta e coloca um ponto de exclamação delicado. O cientista político falava de uma pesquisa de credibilidade da população nos vários setores governamentais e institucionais. Os resultados mostraram a desconfiança em relação à classe política, ao judiciário e ao executivo. As únicas instituições confiáveis foram as Forças Armadas e a Igreja Católica. Que país é esse e para onde estamos indo? Nossa incipiente democracia está necessitada de ajuda dos poderes que governam esse país, caso contrário, não se sabe quais as consequências desses fatos?

 

Psicanaliticamente falando, estamos sem referências de um Estado confiável, estruturado, e que transmita aos jovens parâmetros de confiabilidade. Acho que estamos diante de uma grande confusão nas funções básicas de um Estado: ética, política e judiciária.

 

O que o governo está fazendo, reconheçamos, já é alguma coisa, mas é pouco ainda, e nas horas de crise sentimos uma falta firmeza em fazer reformas fundamentais. Reformas que propiciem condições de elegibilidade; reformas que modifique a distribuição de renda; reformas que convençam que os “corruptos” sejam condenados; reformam que deem condições de um crescimento democrático e econômico.

 

Estamos ansiosos e paradoxalmente descrentes, mas ainda estamos vendo alguma luz no fundo do poço. Oxalá, esses fatores todos apontados acima, os movimentos de rua e a seriedade ética possam dar mais um crédito nas próximas eleições. Não podemos esperar mais, e presenciar essa prática política perversa continuar a ser praticada. Não podemos mais assistir, como dizia Drummond, um “mundo de homens partidos”, um “José” que perdeu o sentido de existir socialmente.

 

É hora de tomar consciência dessa mentalidade doentia, onde o projeto de vida é atender à voracidade, a ganhar mais, acumular mais, mesmo que seu semelhante seja deixado de lado e jogado às consequências do que chamo de “vampirismo” das classes dominantes.

 

Carlos de Almeida Vieira

Psicanalista Didata IPA -  SPB/SPRPE/NPA

vieira041144@gmail.com

data de publicação: 26/11/2013

 

 

Perfil do Dr Carlos Vieira

 

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